Será a carne de laboratório o próximo passo nos restaurantes?

Restaurantes vão usar carne de laboratório?

Que lhe parece daqui a uns anos pedir um bom bife de vitela num restaurante e ser-lhe apresentado uma pasta, que em nada é diferente ao bife (seja em sabor ou em cheiro ou até mesmo em aspeto e textura) em vez de um bife vindo mesmo de uma vitela a sério? Este é o futuro do qual nos estamos a aproximar a passos largos.

Vítor Espírito Santo é engenheiro biomédico português e em Fevereiro integrou o projeto Clean Meat (“carne limpa” em português). Agora falou ao Público e contou tudo sobre esta inovadora experiência.

A startup Just, empresa para a qual o engenheiro biomédico português trabalha, tem como objetivo produzir alimentos apenas baseados em plantas (atualmente produz bolachas, maionese ou ovos, entre outros), o que os levou a ser apoiados, desde 2014, por algumas das pessoas mais influentes do mundo como, por exemplo, Bill Gates e Li-Ka-shing. E agora, está muito perto de conseguir colocar no mercado carne de laboratório. Curiosamente, afirma Vítor Espírito Santo:  “Já comi e gostei. Fazemos testes cegos e há quem não distinga. Uma das coisas que mais nos surpreendeu foi o cheiro. Era mesmo de frango.”

Em 2017, a empresa, que já tinha criado ovos sem serem realmente ovos, revelou ao mundo o seu plano ao mundo: de produzir “carne real” (“real meat” em inglês) sem a necessidade de criar e abater animais. Prometeu também que as primeiras “fornadas” desta iguaria seriam vendidas no final de 2018. Primeiro em restaurantes com estrelas Michelin, para que a haja “uma comercialização mais controlada” e também para “testar reações”.

Mas como assim “carne real”? Não será simplesmente “carne artificial”?

Olhemos então para o processo de produção desta carne. Começa-se por extrair células a um animal de uma forma inofensiva para que não lhe cause qualquer dano ou dor. De seguida, as células obtidas são mantidas vivas em laboratório através da simulação de “processos normais de desenvolvimento de órgãos e tecidos nos próprios animais”, como por exemplo, o fornecimento às células de nutrientes idênticos aos que o animal teria acesso através da sua alimentação. Para que isto aconteça, as células são mantidas num meio de cultura, uma solução que contém todas as proteínas, vitaminas e açúcares necessários para que as células vivam e se consigam reproduzir. O engenheiro formado na Universidade do Minho explica que este meio de cultura é como uma “sopa que contém todos os nutrientes aos quais as células têm acesso no animal a partir da sua nutrição e absorção”.

E como foi a primeira experiência?

A experiência inicial foi um sucesso. No site da Just, na página desta secção da empresa podemos ver um vídeo que conta a história de todo o processo. Ao início, vê-se o pequeno Ian, o frango escolhido para ser “o pai” da carne que deriva deste procedimento, a viver uma vida calma e serena. Entretanto, deixa cair uma pena que é aproveitada para extrair células. Então, depois dá-se início ao processo de reprodução e multiplicação de células vivas provenientes de frango. No fim, vemos alguns elementos da equipa a saborear os nuggets preparados com a carne gerada pelo Ian, enquanto este caminha livremente ao lado deles.

Ian, the chicken that contributed a lot for the project
Ian, o frango “cobaia” que contribuiu e muito para o projeto

Contudo, esta experiência não foi a primeira com sucesso nesta área. Já em 2013, uma equipa de cientistas holandeses criou o primeiro hambúrguer-proveta do mundo a partir de células estaminais de vaca.

A produção de carne é um problema para o bem-estar do planeta já há muito falado. Primeiro, porque provoca muita poluição, quer seja devido ao metano libertado pelos “gases” e fezes produzidas pelos animais, quer seja a quantidade de CO2 emitida no seu transporte. Segundo, porque despende muitos recursos, como o uso intensivo de água e desgaste dos solos. Quem sabe se esta é a solução para este problema sem que seja preciso eliminar aquele gostoso e suculento bife de vitela dos menus dos restaurantes.

 

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